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Os preços do petróleo caíram mais de US$ 1 por barril nesta quinta-feira (5), depois que os Estados Unidos e o Irã concordaram em realizar conversas em Omã nesta sexta-feira (6), reduzindo as preocupações de que um possível conflito militar entre os dois países pudesse interromper o fornecimento a partir da importante região produtora do Oriente Médio.

Os contratos futuros do petróleo Brent recuam US$ 1,31, ou 1,89%, para US$ 68,15 por barril às 07h14 GMT. Já o petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI), dos Estados Unidos, caí US$ 1,24, ou 1,90%, sendo negociado a US$ 63,90.

Os preços do petróleo haviam subido cerca de 3% no dia anterior após uma reportagem sugerir que as conversas previstas entre EUA e Irã para sexta-feira poderiam fracassar. No entanto, mais tarde no mesmo dia, autoridades de ambos os lados disseram que as negociações ocorreriam conforme o planejado, embora os temas a serem discutidos ainda não tenham sido definidos.

“O preço do petróleo eliminou parte do prêmio de risco geopolítico com a notícia das conversas entre EUA e Irã em Omã na sexta-feira”, afirmou Mukesh Sahdev, CEO da consultoria de energia XAnalysts.

Segundo autoridades de ambos os lados, as duas partes continuam bastante distantes quanto ao escopo das conversas. O Irã está aberto a discutir seu programa nuclear, incluindo o enriquecimento de urânio, com países ocidentais, enquanto os EUA também querem incluir os mísseis balísticos do Irã, seu apoio a grupos armados aliados no Oriente Médio e o tratamento dado à própria população.

“É provável que essas conversas revelem novas divergências e que o prêmio de risco volte a subir em breve”, disse Sahdev.

Apesar das negociações iminentes, há preocupações de que o presidente dos EUA, Donald Trump, ainda possa cumprir suas ameaças de atacar o Irã, o quarto maior produtor entre os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), o que poderia desencadear um confronto mais amplo na região rica em petróleo.

Além da possível interrupção da produção iraniana em caso de conflito, há temores de que as exportações de outros produtores do Golfo também sejam afetadas.

Cerca de um quinto do consumo total mundial de petróleo passa pelo Estreito de Ormuz, que fica entre Omã e o Irã. Outros membros da Opep — Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque — exportam a maior parte de seu petróleo bruto por meio do estreito, assim como o próprio Irã.

Analistas disseram que a valorização do dólar americano e a volatilidade nos metais preciosos também pressionaram as commodities e o apetite por risco de forma mais ampla nesta quinta-feira.

Enquanto isso, dados divulgados na quarta-feira pela Administração de Informação de Energia (EIA) mostraram que os estoques de petróleo caíram na semana passada nos Estados Unidos, o maior produtor e consumidor de petróleo do mundo, após uma tempestade de inverno atingir grandes áreas do país.

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